GERAL
05/09/2026 às 09:14 por Patrick Siede


PGR vai investigar possível interferência em relatório da PF sobre caso Master

PGR vai investigar possível interferência em relatório da PF sobre caso Master
Foto: Adriano Machado/Reuters

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que vai apurar se houve ordem ou interferência externa na elaboração de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu que a Polícia Federal seja notificada para explicar as circunstâncias em que o documento foi produzido. Segundo a PGR, o Ministério Público não teve oportunidade de se manifestar previamente sobre a investigação e teria ficado impedido de exercer o controle externo da atividade policial.

Gonet já havia solicitado a nulidade do relatório. Para a Procuradoria, uma determinação para que a PF investigue pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou da própria polícia ultrapassaria os limites de atuação de um ministro do Supremo na fase anterior à abertura de uma ação penal.

O relatório foi tornado público após o ministro André Mendonça, relator do caso Master, retirar o sigilo do material. As mensagens foram obtidas pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao banco e incluem comunicações atribuídas a Vorcaro com referências a Moraes e a outros integrantes de instituições públicas.

Entre os registros, Vorcaro teria questionado Moraes, em novembro de 2025, sobre o risco de ser preso e sobre a possibilidade de deixar o país. A reportagem destaca, entretanto, que não é possível saber quais teriam sido as respostas do ministro, porque parte das comunicações era feita por conteúdos de visualização única, preservando apenas materiais enviados pelo banqueiro.

O próprio Paulo Gonet também é mencionado no relatório. Em uma das mensagens, segundo a PF, Vorcaro teria pedido a Moraes que buscasse tratar das investigações envolvendo o Master com o procurador-geral e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O documento também registra contatos indiretos envolvendo pessoas próximas ao banqueiro.

Paralelamente, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para analisar a conduta de Gonet após seu nome aparecer no material.

A apuração anunciada pela PGR deverá agora buscar esclarecer como o relatório foi produzido e se houve interferência externa na atuação da Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master.

Redação do Grupo Sepé com informações do Folha de São Paulo


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