
Uma advogada foi presa preventivamente na última sexta-feira, 04, em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, durante um desdobramento da investigação que apura crimes de cárcere privado, exploração sexual e trabalho em condição análoga à escravidão envolvendo mulheres no município. Segundo a Polícia Civil, a profissional atuava na defesa de integrantes do grupo investigado. Ela teria assumido, perante o Ministério Público, o compromisso de garantir a libertação das vítimas e o retorno delas às respectivas famílias, o que, conforme a investigação, não teria ocorrido.
As apurações apontam que as mulheres teriam sido levadas para outro estabelecimento de prostituição, em Planalto, no Norte do Estado. Dias após o fechamento do local investigado em Ijuí, uma operação policial encontrou oito mulheres no estabelecimento, que foram resgatadas. Uma das vítimas relatou aos investigadores ter sido ameaçada de morte pela advogada durante o deslocamento. Conforme o depoimento, a suspeita teria afirmado que mataria a mulher caso ela voltasse a procurar as autoridades. A declaração foi considerada na representação pela prisão preventiva.
A suspeita da Polícia Civil é de que o estabelecimento em Planalto fosse controlado pelo mesmo grupo criminoso investigado em Ijuí. A organização seria liderada por um homem que está preso na Penitenciária Modulada do município. Além da advogada, outras duas pessoas foram presas preventivamente: uma mulher que trabalhava no estabelecimento e um homem apontado como gerente do grupo.
O caso teve início com a Operação Momentum Libertatis, deflagrada nos dias 20 e 21 de agosto pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Na ocasião, três mulheres foram resgatadas, entre elas uma jovem de 25 anos que estava grávida. Um homem responsável pela segurança do local foi preso em flagrante. Segundo a investigação, as vítimas seriam submetidas a um sistema de dívidas utilizado para restringir a liberdade delas.
A OAB/RS informou nesta terça-feira, 08, que solicitou acesso aos autos do inquérito para analisar os fatos e avaliar eventuais providências institucionais. As investigações seguem em andamento.
Redação do Grupo Sepé com informações do G1 RS