
O presidente do Sulpetro no Rio Grande do Sul, Fabrício Severo Braz, alertou para as dificuldades no abastecimento de diesel no Estado. Em entrevista à Rádio Sepé, ele afirmou que distribuidoras enfrentam restrições para receber o combustível e que o cenário é influenciado pela redução das importações e pela diferença entre os preços praticados no mercado internacional e no Brasil.
Segundo Braz, a Petrobras já teria atendido às cotas previstas para setembro, enquanto a demanda aumentou no fim de agosto. “Nós estamos com dificuldade mesmo de receber produto diesel das próprias distribuidoras”, afirmou.
O dirigente explicou que conflitos internacionais e problemas em refinarias russas também afetam a oferta. Com menor disponibilidade de produto vindo da Rússia, o Brasil passou a depender mais de fornecedores como Estados Unidos e Índia, com custos maiores de transporte. Segundo ele, a Petrobras anunciou nova importação que pode contribuir para aliviar o mercado a partir da primeira quinzena de outubro.
A situação é considerada mais delicada nas regiões Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul. Braz relatou falta de diesel S500 nas bases e oferta restrita de S10. “Na região de vocês, Noroeste e Norte do Estado, está com mais dificuldade de produto”, destacou.
Mesmo postos vinculados a grandes distribuidoras enfrentam entregas fracionadas. Já transportadores revendedores retalhistas e postos independentes encontram maior dificuldade para conseguir combustível. “As distribuidoras estão com produtos restritos. Eles não mandam todo o pedido que o cliente pede”, explicou.
O presidente do Sulpetro também demonstrou preocupação com os impactos sobre o agronegócio, justamente em um período de aumento do consumo de diesel para plantio. Para ele, a escassez e os preços mais elevados podem pressionar os custos dos produtores rurais.
Sobre a possibilidade de ampliar a mistura de biodiesel de 15% para 17%, Fabrício afirmou que a medida pode ajudar a aumentar a disponibilidade do combustível, desde que sejam mantidos os padrões de qualidade. “Não somos contra o aumento do percentual do biodiesel. O que nós cuidamos é referente à qualidade do produto”, ressaltou.
Braz acrescentou que os preços dos combustíveis vêm apresentando forte oscilação e que os revendedores precisam acompanhar diariamente os custos de aquisição. Segundo ele, o setor enfrenta um cenário de maior complexidade, marcado por restrições de oferta, custos elevados e incertezas no mercado internacional.
Redação do Grupo Sepé