SAÚDE
05/10/2026 às 22:00 por Ana Carolina Zago


Mulher se torna mãe aos 44 anos após transplante de tecido ovariano congelado por 23 anos

Mulher se torna mãe aos 44 anos após transplante de tecido ovariano congelado por 23 anos
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Kassandra Bacon tinha 18 anos e estava perto de completar 19 quando recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, em 2001. Diante da necessidade de tratar o câncer, ela insistiu para que os médicos também tentassem preservar sua possibilidade de ter filhos. Aos 44 anos, tornou-se mãe após receber um transplante de tecido ovariano que permaneceu congelado por 23 anos.

O filho, Landon David Bacon, nasceu em 9 de setembro de 2026. Entre o diagnóstico e a maternidade, Kassandra enfrentou o retorno do câncer, a perda da função dos ovários e diversas dificuldades para encontrar uma equipe disposta a realizar o procedimento.

Uma possibilidade preservada antes do tratamento

Segundo o relato publicado em suas redes sociais, Kassandra conseguiu realizar a retirada de pequenas amostras de tecido ovariano no Hospital Addenbrooke’s, em Cambridge, no Reino Unido. O material continha óvulos imaturos e foi congelado para uma possível utilização no futuro.

A proposta era conservar o tecido antes que o tratamento contra o câncer comprometesse sua função. Anos depois, os fragmentos poderiam ser transplantados de volta ao corpo, na tentativa de recuperar a atividade dos ovários. Na época, porém, a técnica ainda era experimental, sem garantia de que permitiria uma gravidez.

Numa campanha de arrecadação criada através do site GoFundMe, a ginecologista Sara Matthews, que participou do atendimento, relata que o câncer voltou menos de dois anos após o diagnóstico inicial. Kassandra precisou de quimioterapia em altas doses e de um transplante de medula óssea. O tratamento controlou a doença, mas comprometeu sua função ovariana.

Anos de espera por uma cirurgia

Quando decidiu formar uma família com o companheiro, já na faixa dos 30 anos, Kassandra descobriu que havia entrado na menopausa precocemente. O tecido armazenado passou a representar sua possibilidade de ter um filho biológico.

Conseguir o transplante, no entanto, exigiu uma longa busca. Ela procurou especialistas no Reino Unido e na Bélgica, mas encontrou obstáculos relacionados à documentação das amostras, congeladas antes da introdução de regras britânicas sobre o armazenamento de tecidos.

A alternativa surgiu com um médico em Israel, que aceitou realizar a cirurgia. O material foi transportado de Cambridge, onde permanecia armazenado. Em maio de 2024, Kassandra finalmente viajou para Israel e recebeu o transplante.

Como o tratamento permitiu a gravidez

Meses depois da cirurgia, Kassandra voltou a menstruar, um sinal de recuperação da atividade ovariana. Para engravidar, ainda precisou de tratamento de reprodução assistida. O caminho até a maternidade envolveu três etapas principais:

Preservação: pequenas amostras de tecido ovariano, contendo óvulos imaturos, foram retiradas e congeladas.

Transplante: após 23 anos de armazenamento, os fragmentos foram reimplantados para tentar recuperar a função dos ovários.

Fertilização in vitro: com a atividade ovariana restabelecida, Kassandra passou por três ciclos do tratamento para conseguir a gestação.

Segundo Matthews, o teste positivo veio após a transferência do segundo embrião, no Natal de 2025. A gravidez transcorreu sem complicações, e mãe e bebê estão bem.

A trajetória também trouxe despesas com transporte do tecido, cirurgia, viagens, medicamentos e reprodução assistida. Uma campanha de arrecadação foi organizada para ajudar a cobrir esses custos.

Após mais de duas décadas entre a preservação do material e o nascimento, Kassandra pôde realizar o desejo que a levou a insistir no procedimento ainda na juventude.

Fonte: Metrópoles 


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