
O governo da Arábia Saudita confirmou nesta quarta-feira (7) que 3 pessoas morreram e outras 33 ficaram feridas em ataques com mísseis e drones dos rebeldes pró-Irã do Iêmen, os houthis, a aeroportos do país.
As ações, que não foram discriminadas, ocorreram entre terça (6) e quarta. Um dos ataques foi contra o aeroporto Rei Khalid, na capital, Riad. Lá morreu 1 pessoa e houve oito feridos. As vítimas restantes estavam no aeródromo de Abha, no sul do país.
São as primeiras mortes confirmadas desde que os houthis passaram a atacar a infraestrutura aeroportuária saudita, na atual fase do conflito com Riad e seus aliados que governavam o Iêmen a partir de Sanaa, expulsos da capital pelos rebeldes em 2014.
Os houthis do Iêmen também atingiram o principal aeroporto ainda controlado pelo governo reconhecido do país, no porto meridional de Áden. A pista do local foi fechada após ser atingida por mísseis balísticos e drones.
Um voo que vinha do Cairo e se preparava para pousar foi desviado, segundo as autoridades locais, e dois aviões que estavam no pátio foram levados para hangares. O aeroporto, principal ponto de contato do governo com o mundo, está fechado.
Os houthis confirmaram a ação, mas não a detalharam. Observadores da região sugerem que o avião desviado para Jedá, na Arábia Saudita, trazia armamentos para apoiar o governo em sua contraofensiva na costa do mar Vermelho do país.
Não há confirmação disso, embora o fluxo de armas sauditas seja uma constante. Riad apoia o governo expulso da capital na guerra civil que estava congelada desde 2022, mas foi retomada a partir de um bloqueio aéreo contra Sanaa em julho.
Até então, os houthis se mostraram uma inesperada ameaça ao lançar mísseis e drones em todo o mar Vermelho e contra Israel em dois momentos: apoiando os terroristas do Hamas na guerra pós-7 de Outubro e em favor do Irã, seu principal patrocinador, na fase mais ativada do conflito de Teerã com Washington e Tel Aviv.
Agora, a guerra está aberta novamente, ameaçando mais uma rota comercial vital para o mundo, particularmente para o petróleo saudita. Em setembro, os houthis fizeram uma ofensiva surpresa e tomaram quase toda a costa do mar Vermelho no país, incluindo o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Desde a semana passada, os sauditas e o governo do Iêmen voltaram ao ataque, com relatos contraditórios acerca de ganhos sobre cidades como Mocha e Dhubab. Os houthis negam ter perdido o controle sobre as regiões, mas a intensidade do conflito impede a aferição independente da situação.
Sob fogo da aviação saudita, os rebeldes também passaram a atacar infraestrutura energética e de transporte do vizinho. Com isso, o conflito regional se amplia, estando inserido na confrontação maior em todo o Oriente Médio.
Para o Irã, ameaças de seus aliados contra parceiros dos EUA são bem-vindas, em especial com a pressão sobre o preço do barril de petróleo - a tensão econômica é especialmente complexa para o governo de Donald Trump, a começar pela inflação da gasolina em ano de eleição legislativa.
Além disso, a guerra está colocando em teste pela primeira vez o Acordo de Meca, um pacto militar entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinado em agosto.
Nesta semana, a cláusula de defesa mútua foi acionada pela primeira vez, e forças de Islamabad e Ancara deverão apoiar os sauditas, restando saber como isso ocorrerá.
Fonte: Jornal do Comércio