
Relatório técnico aponta riscos de disparos em massa e linguagem polarizadora, mas não identifica conteúdos falsos denunciados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, nesta segunda-feira, 12 de outubro, que não identificou a divulgação de informações falsas no canal de WhatsApp "Exército do Lula", coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG). Apesar disso, a análise apontou possíveis riscos ao processo eleitoral, especialmente às vésperas do segundo turno presidencial.
O relatório, solicitado pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e assinado pelo chefe da área técnica, Frederico Alvim, analisou publicações realizadas entre 2 e 11 de outubro de 2026. O documento deverá subsidiar novas decisões da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento do canal, que reúne mais de 3 milhões de inscritos.
Entre os pontos de atenção, os técnicos destacaram o risco de disseminação em massa de mensagens e o uso recorrente de linguagem polarizadora, considerada potencialmente prejudicial ao ambiente democrático. A equipe também ressaltou que publicações de setembro foram apagadas, impossibilitando a análise completa do conteúdo anteriormente divulgado.
SUSPENSÃO E RETORNO DO CANAL
No domingo, 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal após solicitação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que denunciou a suposta divulgação de notícias falsas contra o candidato.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão e autorizou o restabelecimento do canal.
A campanha de Flávio apontou supostas publicações afirmando que o candidato pretendia retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, reduzir aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de acusações envolvendo milícias e o reajuste do Bolsa Família.
Entretanto, a equipe técnica do TSE não localizou essas afirmações nas mensagens examinadas entre 2 e 11 de outubro. O relatório ressalva que conteúdos apagados anteriormente não puderam ser verificados.
Os técnicos também identificaram uma publicação de 8 de outubro na qual o canal afirmava que não divulgaria informações falsas até o encerramento da campanha eleitoral.
O caso poderá ser analisado pelo plenário do TSE, mas ainda não há data definida para o julgamento. Até uma nova decisão, permanece válida a autorização para o funcionamento do canal.
Redação do Grupo Sepé com informações de Correio do Povo