ELEIÇÕES 2026
22/10/2026 às 21:50 por Ana Carolina Zago


Campanhas de Lula e Flávio dizem ter chegado a acordo para abrir sigilos; Mendonça precisa dar aval

Campanhas de Lula e Flávio dizem ter chegado a acordo para abrir sigilos; Mendonça precisa dar aval
Foto: Reprodução

As campanhas dos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram que chegaram a um acordo para abrir os sigilos de ambos de forma total. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pelo caso, ainda precisa dar o aval.

O documento é assinado pelo presidente Lula e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. A informação é do g1.

Segundo anunciaram as candidaturas, eles têm até 23h59min desta quinta-feira (22) para apresentar as autorizações para abrir documentos.

Mais cedo, a coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro havia dito que só pretendia apresentar dados telefônicos, fiscais e bancários após uma análise das informações prestadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já a defesa de Lula havia informado que "não se opõe a absolutamente nada" em relação à abertura de seus sigilos. Ao mesmo tempo, Lula voltou a afirmar que o candidato Flávio Bolsonaro também deveria cumprir suas condições para abrir os sigilos.

O desafio sobre a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal dos dois candidatos à Presidência foi lançado por Lula durante debate promovido pela Band no último domingo (18). Flávio, na oportunidade, esquivou-se e evitou se comprometer com a quebra de sigilos.

O que diz a campanha de Flávio

A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quinta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que "o desafio sobre a quebra de sigilo foi lançado e foi aceito". 

Ela disse que a campanha de Flávio exigiu que os dados de Lula não se limitassem a oito anos, como definido inicialmente pelos petistas, mas desde 2003, quando ele assumiu a Presidência pela primeira vez.

Segundo Maria Claudia, é preciso saber também informações quanto aos cartões corporativos, as visitas aos palácios presidenciais e dados públicos desses últimos anos de mandato.

— A gente precisa verdadeiramente de uma transparência real. Oferecer um telefone que nunca é usado é não oferecer nada. Queremos o telefone que era usado, o telefone do Marcola, Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula — disse ela, que é ex-ministra do TSE. 

— Nós topamos a pedida deles. Absolutamente tudo que foi pedido pela campanha de Lula será apresentado.

— Se ele (Lula) verdadeiramente trouxe os documentos que a gente pediu, como ele disse que faria, nós reafirmamos aqui o que é público, que vamos trazer. E será bastante rápido. Nós temos tudo já — respondeu ao ser questionada se a campanha de Flávio já apresentaria as informações neste momento.

A advogada falou com a imprensa ao deixar o TSE. Ela estava ao lado do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Deltan disse que foi escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro para auditar a documentação da quebra dos sigilos entregues por Lula ao TSE. Ele alegou que Lula "é especialista em ocultar patrimônio" e também falou em "resgatar a história" na análise da documentação.

O que diz a campanha de Lula

A equipe da campanha de Lula chegou ao TSE por volta das 11h para apresentar documentos sobre a quebra de sigilo dele, da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e de seus filhos.

No documento enviado ao ministro André Mendonça e obtido pelo g1, Lula afirma que a transparência deve ser exigida da mesma forma para ambos os candidatos. 

A equipe de Lula pede que Flávio inclua, na divulgação de seus sigilos, os dados da empresa Alcazar Holdings, que pertence ao advogado Willer Tomaz, indicado como amigo próximo de Flávio.

A manifestação de Lula ainda afirma que a Polícia Federal (PF) encontrou registros que apontam Flávio como "usuário master" de uma conta da Alcazar em um banco privado. O vínculo teria sido desfeito após o início da Operação Sem Desconto, em maio de 2025. A operação da PF investiga o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Além disso, o texto também cita a viagem que Flávio Bolsonaro fez em um jato executivo da empresa de Willer Tomaz. "Se, como (o candidato do PL) afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta", afirma a petição.

Fonte: GZH 


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