
Alemanha, Romênia e Reino Unido se somaram à lista de países europeus atingidos desde segunda-feira por ciberataques a supermercados, que expuseram a vulnerabilidade da cadeia de abastecimento de alimentos na Europa.
Até o momento, ninguém reivindicou a autoria dos ataques, que obrigaram o descarte de grandes quantidades de produtos e que a União Europeia (UE) considera uma tentativa deliberada de perturbar seu abastecimento alimentar.
Um primeiro ataque hacker, em meados de outubro, provocou um aumento drástico das temperaturas em refrigeradores e freezers de centenas de estabelecimentos franceses. Nesta segunda, uma nova onda de ataques aumento a lista de países afetados que inclui agora Alemanha, Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Romênia e Suécia.
O Centro Nacional de Segurança Cibernética britânico (NCSC) mencionou "dois ou três casos em que uma vulnerabilidade tecnológica foi explorada no Reino Unido", sem fornecer mais detalhes.
"Esses incidentes mostram, mais uma vez, como os ataques cibernéticos podem perturbar serviços essenciais e afetar a vida cotidiana dos cidadãos", afirmou nesta terça-feira Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia.
Na Itália, o governo convocou os chefes dos serviços de inteligência e da Agência Nacional de Cibersegurança. "Não imaginávamos que nós, como supermercados, seríamos alvo de um ataque cibernético", declarou ao jornal Corriere della Sera Giuseppe Spadaro, diretor do grupo Radenza, que administra as lojas da marca Coop na Sicília.
Quatro dos 300 supermercados do grupo foram atacados. "Tivemos que jogar tudo fora. As prateleiras estão vazias", afirmou.
Na Suécia, a rede Coop também registrou incidentes, embora apenas em sete de suas 800 lojas, informou à AFP seu porta-voz, Carlos Cancinos. Segundo ele, os equipamentos afetados estavam conectados a "antigas redes 4G", motivo pelo qual a empresa colocou em prática um programa para modernizar os sistemas de refrigeração, "garantindo que funcionem por meio de redes 5G".
Na Bélgica, onde dezenas de lojas registraram falhas nos sistemas de refrigeração, a Procuradoria Federal abriu uma investigação. Para Roni Kokkola, especialista em segurança da informação de uma agência governamental finlandesa, essas ações eram previsíveis desde o primeiro incidente na França.
Fonte: Correio do Povo