INTERNACIONAL
04/11/2026 às 10:12 por João Gomes


Vitória democrata no Congresso dos EUA limita poder de Trump

Vitória democrata no Congresso dos EUA limita poder de Trump
Foto: SAUL LOEB / AFP

Partido Democrata conquista maioria na Câmara e no Senado, ampliando a fiscalização sobre o governo e dificultando a aprovação de propostas do presidente.

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3 de novembro, altera o cenário político do país. Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, a oposição ao presidente Donald Trump passa a ter maior influência sobre a aprovação de leis, o orçamento federal e a fiscalização das ações da Casa Branca.

O resultado representa uma mudança na composição do Congresso norte-americano durante o segundo mandato de Trump. Com o controle das duas casas legislativas, os democratas poderão estabelecer prioridades de votação, comandar comissões parlamentares e ampliar a fiscalização sobre decisões do governo republicano.

Entre as prioridades anunciadas pela oposição está o enfrentamento ao aumento do custo de vida. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que pretende trabalhar pela reversão dos cortes no Medicaid, programa de assistência à saúde destinado à população de baixa renda, aprovados durante o governo Trump em 2025.

Jeffries também defendeu medidas relacionadas à política externa e ao comércio internacional. Entre elas estão iniciativas para encerrar a guerra contra o Irã, apontada pelo parlamentar como um dos fatores responsáveis pela elevação dos preços dos combustíveis, e a revisão de tarifas comerciais impostas pelo presidente sem autorização do Congresso.

Outra consequência da mudança será a possibilidade de abertura de investigações parlamentares sobre a administração federal. Com o comando das comissões legislativas, os democratas poderão convocar autoridades, solicitar documentos e examinar denúncias envolvendo integrantes do governo.

A oposição também poderá dificultar a aprovação de projetos defendidos por Trump, incluindo propostas de redução de impostos, mudanças nas regras ambientais e recursos destinados às políticas de deportação de imigrantes.

No Senado, a nova maioria democrata terá influência direta sobre a confirmação de autoridades indicadas pelo presidente, incluindo integrantes do governo e magistrados federais. Isso poderá afetar futuras nomeações para a Suprema Corte dos Estados Unidos, caso surjam vagas durante o restante do mandato presidencial.

Apesar da derrota eleitoral de seu partido, Trump continuará dispondo de instrumentos importantes de atuação. O presidente poderá vetar projetos aprovados pelo Congresso, sendo necessária uma maioria de dois terços em ambas as casas para derrubar um veto presidencial.

O republicano também mantém atribuições próprias do Poder Executivo, incluindo a possibilidade de editar decretos em determinadas áreas da administração federal. Entretanto, decisões que dependam de autorização legislativa ou de recursos orçamentários poderão enfrentar maior resistência.

Após o resultado das eleições, Trump sinalizou disposição para utilizar seu poder de veto, mas também reconheceu a necessidade de negociar questões orçamentárias com os democratas.

A mudança no Congresso poderá produzir reflexos nas relações internacionais dos Estados Unidos, inclusive com o Brasil e outros países da América Latina. Questões comerciais, diplomáticas e de política externa poderão passar por maior fiscalização parlamentar.

Os novos congressistas assumirão seus mandatos em janeiro de 2027, quando a maioria democrata começará a exercer formalmente o controle das duas casas legislativas.

Redação do Grupo Sepé com informações de GZH


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