
A Assembleia Legislativa inicia, em dezembro, as atividades em celebração aos 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul (1626-2026).
Estão programados dois espetáculos musicais. O primeiro acontece no dia 13 de dezembro, em Santo Ângelo, na Praça Pinheiro Machado, tendo como cenário a Catedral Angelopolitana. O show marca a estreia do Sarau do Solar no interior.
No dia seguinte, 14 de dezembro, em São Miguel das Missões, o cenário do evento é a igreja do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo.
Os dois eventos foram planejados pelo Legislativo em parceria com as prefeituras municipais. Os espetáculos denominados “400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis em ritmos e tradição” somam-se à programação que está sendo planejada pela Comissão Oficial das Comemorações dos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis, da qual a Assembleia Legislativa, representada pelos deputados Eduardo Loureiro (PDT), atual secretário estadual da Cultura, e Jeferson Fernandes (PT), faz parte.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas (PT), destaca que as atividades foram aprovadas pela Mesa e representam o compromisso do Parlamento com o legado das Missões Jesuíticas, em reconhecimento a sua profunda influência histórica, cultural e espiritual no Rio Grande do Sul.
Os espetáculos foram concebidos para destacar a música barroca, a cultura musical dos guaranis, a música e a poesia missioneiras, pilares na construção da identidade cultural das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul.
O concerto (L)este, de Alejandro Brittes, apresenta uma narrativa musical que conta a origem do Chamamé, expressão musical de enculturação de dois importantes paradigmas culturais. De um lado, a música barroca, ensinada pelos padres jesuítas nas reduções das Missões; de outro, a cosmogonia, os ritos e a musicalidade dos povos originários guaranis.
A programação foi concebida pela curadoria da Assembleia Legislativa, com o propósito de destacar o patrimônio imaterial das Missões, representado pela música e pela poesia, elementos que constituem marcas profundas da identidade regional. Essa herança cultural abrange uma macrorregião que une o Rio Grande do Sul, a Argentina e o Paraguai, evidenciando a força simbólica e histórica desse legado compartilhado.
No espetáculo preparado para as Missões, Alejandro Brittes contará com participação especial do Coral da Aldeia Indígena Teko’a Koenjú. “A Assembleia construiu com Alejandro esse espetáculo de modo a garantir que a música guarani, caracterizada pelo uso de vozes em coro, percussão simples e instrumentos tradicionais como flautas, tenha destaque nas celebrações dos 400 anos”, explica a diretora de Cultura da Assembleia, Michele Limeira.
Os espetáculos com Alejandro Brittes, Orquestra Barroca, e o Coral da Aldeia Indígena Teko’a Koenjú, serão apresentados no dia 13 de dezembro, às 19 horas, em Santo Ângelo, na Praça Pinheiro Machado, em frente à Catedral Angelopolitana, e no dia 14 de dezembro, às 18 horas, no setor sudoeste da praça principal da antiga Redução, tendo como pano de fundo a fachada da Igreja do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, localizado no município de São Miguel das Missões (Patrimônio Mundial pela UNESCO).
O Coral Guarani “Jerojy Mbaraete” (Grupo Coragem), da Aldeia Indígena Tekoa Koenjú (São Miguel das Missões), regido por Pascoal Karaí, integra os espetáculos e faz apresentações nos dias 13 e 14 de dezembro, nas comemorações institucionais dos 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul. Segundo o regente do Coral, o objetivo principal do grupo é fortalecer a cultura guarani, trazendo no canto manifestações sobre a preservação da natureza e a conexão com a terra, a espiritualidade e os valores guaranis.
O espetáculo que vai ser apresentado em São Miguel das Missões terá, além de Alejandro Brittes e do Coral Indígena, um show especial com a Família Ortaça, destacando a música missioneira. Pedro Ortaça, patriarca, é considerado um dos “troncos missioneiros”, expressão utilizada para designar os principais representantes e guardiões da tradição cultural das Missões Jesuíticas. Dos quatro músicos “troncos missioneiros”, Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany, Pedro Ortaça é o único ainda vivo.
O show tem como destaque a música e o talento de Gabriel Ortaça, filho de Pedro. “A contribuição artística da família se destaca pela autenticidade e pelo profundo respeito às raízes guaranis e jesuíticas”, sinaliza a diretora de Cultura, Michele Limeira. Gabriel interpretará, junto com outros membros da família, principalmente canções de autoria do pai. Marianita Ortaça, filha de Pedro, também integra o grupo e é embaixadora dos 400 anos das Missões Jesuíticas no RS.
A declamadora Adriana Braun vai ser a apresentadora dos espetáculos. Além de mediar as apresentações, apresentará a poesia missioneira de Jayme Caetano Braun, de quem é sobrinha. Jayme Caetano Braun é uma das figuras mais emblemáticas da poesia missioneira, reconhecido por dar voz à cultura, ao cotidiano e à história do povo gaúcho e das Missões Jesuíticas através de suas declamações e versos marcantes. Adriana Braun, ao mediar os espetáculos, homenageia não só a obra do poeta, mas também o legado cultural transmitido por suas palavras.