GERAL
03/03/2026 às 10:21 por Redação


Dependência do Irã expõe milho brasileiro a risco de preços

Dependência do Irã expõe milho brasileiro a risco de preços
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Divulgação/JC

O conflito no Oriente Médio coloca em risco o principal mercado externo do milho brasileiro e pode alterar a dinâmica de preços no Rio Grande do Sul. O Irã é atualmente o maior importador do cereal do Brasil e respondeu por 31,5% do faturamento nacional com o produto em 2025. No ano passado, o país comprou 9,1 milhões de toneladas. Em janeiro de 2026, foram cerca de 1,2 milhão de toneladas — quase 29 % do total exportado no mês.

Caso a escalada das tensões dificulte embarques e o Brasil não encontre destinos alternativos no curto prazo, a oferta interna pode aumentar, com impacto sobre as cotações. Embora o Rio Grande do Sul seja importador de milho - inclusive de outros estados - um eventual excedente nacional pode pressionar preços para baixo e beneficiar cadeias consumidoras, como a de proteína animal.

“O que pode acontecer é o Rio Grande do Sul ter um milho mais barato ainda para comprar e se abastecer nos Estados vizinhos”, afirmou o economista Argemiro Brum, coordenador da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), na Unijuí. Ele pondera que o desfecho dependerá das rotas comerciais e da evolução diplomática nos próximos dias.

Nos mercados internacionais, o trigo já reagiu à tensão geopolítica, movimento que pode encarecer o produto importado pelo Brasil, especialmente da Argentina. Para o produtor gaúcho, uma eventual alta pode representar recuperação de preços, mas também tende a pressionar moinhos e consumidores.

No caso da soja, o encarecimento do petróleo costuma impulsionar o óleo de soja, utilizado como biocombustível, o que pode sustentar as cotações internacionais. “Mas estamos falando em cima do fato. É muito cedo. O efeito imediato foi no petróleo e no câmbio”, afirmou Brum.

O analista da Unijuí avalia, ainda, que se o conflito se prolongar e pressionar combustíveis e alimentos, o impacto pode ultrapassar o mercado agrícola e alcançar a política monetária. "A alta de preços pode reacender pressões inflacionárias e influenciar decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa Selic".

Fonte: Jornal do Comércio 


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