AGRO
01/04/2026 às 22:05 por Redação


Envio de carne com osso para Chile abre novo segmento de mercado para pecuária gaúcha

Envio de carne com osso para Chile abre novo segmento de mercado para pecuária gaúcha
Foto : Lucas Nunes / Divulgação / CP

Concretizado na sexta-feira (27), o envio da primeira carga de carne bovina com osso produzida no Rio Grande do Sul para o Chile marca uma “virada” na pecuária de corte gaúcha, avalia a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli. Para a dirigente, a abertura desse novo segmento do mercado chileno representa o resultado econômico e estratégico do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Mundial (OMSA) ao Estado há cinco anos. Com a operação pioneira, a expectativa é que o agronegócio local se fortaleça para levar esse tipo de produto a outros destinos.

“O Chile é um primeiro passo superimportante, porque não se trata só de vender carne, mas de vender melhor. O Rio Grande do Sul precisa se posicionar, acessar mercados que reconhecem qualidade, sanidade, confiança e diferenciação”, diz Antonia, destacando que a divulgação dos diferenciais da produção do Estado é uma das metas do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne), iniciativa lançada por pecuaristas e indústrias no mês passado.

“É um sinal muito claro de que estamos prontos para um novo momento”, reforça Antonia. Ela lembra que o Rio Grande do Sul já exportava carne com osso a outros países, mas só agora começa a entrar no radar de importadores que adotam exigências sanitárias mais rigorosas e, consequentemente, abrem a oportunidade de negócios de maior valor agregado para o setor. “Existem vários mercados de carne sem osso, de cortes nobres, que não dependiam desse status de agora. Só que (esses cortes) fazem 30%, 35% do boi. Com o novo status, tu consegues agregar valor em cortes que até então não iam (para o mercado externo) e perfazem um percentual muito maior do animal”, detalha.

A carga destinada ao Chile partiu da unidade do frigorífico Minerva Foods em Alegrete. Atualmente, a empresa soma três plantas aptas a esse tipo de exportação no Estado. “O nosso desafio agora é consolidar esse movimento, ampliar as plantas habilitadas para atender esse mercado e abrir novos destinos”, afirma Antonia.

A exportação para o Chile foi destaque em um encontro ocorrido na Embaixada do Brasil em Santiago. Além da presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, a comitiva brasileira teve a participação do primeiro vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, para o qual a abertura do país sul-americano indica o início de uma agenda de longo prazo. Segundo o produtor, o foco agora é usar a “origem gaúcha” e a "identidade produtiva" como selos de qualidade para conquistar outros mercados de alta renda que exigem o status de livre de aftosa sem vacinação, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. "O Mercosul tem Argentina, tem Uruguai, tem Paraguai produzindo carne, além do Brasil. E, no entanto, o Chile autorizou apenas o estado do Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país", destacou Pereira, em nota.

Fonte: Correio do Povo 


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