
Pesquisadores do Rio Grande do Sul estão utilizando drones para aplicar uma solução biológica em pastagens no combate ao carrapato bovino, um dos principais problemas enfrentados pela pecuária. A técnica busca atacar o parasita no ambiente, e não diretamente no animal, oferecendo uma alternativa mais barata e eficiente aos produtores rurais.
O projeto é liderado pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, o IPVDF, vinculado ao Governo do Estado. Segundo o pesquisador agropecuário e diretor do instituto, José Reck, a mudança de estratégia é necessária porque muitos carrapatos já apresentam resistência a grande parte dos produtos químicos disponíveis no mercado. A nova abordagem concentra o controle do parasita nas pastagens, onde está a maior parte da população de carrapatos. Conforme Reck, quando um carrapato é visto no bovino, é possível imaginar que milhares estejam presentes no ambiente.
A solução utilizada na pesquisa é biológica e feita a partir de microrganismos encontrados no solo. Os pesquisadores selecionam os organismos com maior capacidade de eliminar o parasita, concentram esses agentes em uma formulação e reaplicam no ambiente em quantidade maior. O uso de drones é considerado o diferencial da técnica. Os equipamentos permitem a pulverização durante a noite ou de madrugada, horários em que os microrganismos têm melhor desempenho, por não ficarem expostos à luz solar.
Além disso, a tecnologia reduz o volume de aplicação e torna o processo mais acessível, especialmente para pecuaristas que não possuem tratores pulverizadores. A pesquisa busca validar um protocolo que possa ser transferido à indústria. Caso seja aprovada, a técnica poderá viabilizar a produção em larga escala de um produto biológico para controle do carrapato bovino, algo ainda inexistente no Brasil.
Redação do Grupo Sepé com informações do G1 RS