
Os ataques de javalis têm provocado prejuízos milionários à ovinocultura gaúcha, especialmente na região da Campanha. Um levantamento realizado pela Estância São Marcos, localizada na Serra do Caverá, em Sant’Ana do Livramento, aponta que, entre 2010 e 2026, a propriedade perdeu 6.255 ovinos em decorrência de ataques da espécie invasora.
Conforme reportagem de Matias Moura, publicada pelo jornal A Plateia, o prejuízo direto estimado no período chega a R$ 3,1 milhões. Os dados também mostram uma redução expressiva no rebanho da estância, que passou de aproximadamente 4 mil animais para cerca de 300.
Diante do cenário, produtores rurais defendem a criação de uma política pública permanente para o controle populacional dos javalis. A espécie é considerada uma das principais ameaças à criação de ovinos na região, gerando impactos econômicos, produtivos e ambientais.
Enquanto medidas mais amplas não são implementadas, ações de controle têm sido realizadas por profissionais autorizados. Um exemplo é o trabalho de Mauricio Deckmann, da empresa Extreme Hunter, que utiliza tecnologia, como drones com visão noturna, para auxiliar na localização dos animais durante as operações.
O debate sobre o controle do javali também ganhou força em Santa Catarina. Naquele estado, a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa aprovou a admissibilidade do Projeto de Lei 287/2026, de autoria do deputado estadual Camilo Martins (PL).
A proposta cria um programa de incentivo financeiro para o controle do javali-europeu, prevendo o pagamento de R$ 100 por animal abatido a pessoas físicas ou jurídicas devidamente autorizadas e cadastradas junto aos órgãos ambientais competentes.
O projeto ainda precisa passar por outras comissões antes de ser votado em plenário. No Rio Grande do Sul, produtores cobram medidas semelhantes para reduzir os prejuízos e proteger a atividade rural.
Redação do Grupo Sepé com informações de Giovani Grizotti - Repórter Farroupilha